Perceber o meu problema
A gengiva que sangra ao escovar é o sinal mais ignorado da medicina dentária. É também o primeiro aviso de uma doença silenciosa que destrói o osso onde os dentes assentam, e que não fica confinada à boca.
Há evidência científica a associar a doença periodontal ao risco cardiovascular. O mecanismo que explica essa ligação é mais simples do que parece, e é o assunto deste artigo.
Em resumo
- A periodontite é a inflamação grave que destrói a gengiva, o ligamento e o osso de suporte do dente, e é a principal causa de perda de dentes em adultos.
- A inflamação liberta mediadores para a corrente sanguínea, o que acelera a formação de placas de gordura nas artérias e aumenta a pressão arterial.
- A falta de cuidado oral está associada a maior probabilidade de enfarte do miocárdio, AVC e endocardite.
O que é a periodontite
Convém separar duas coisas que costumam andar juntas na conversa. A gengivite é a inflamação superficial da gengiva provocada pela acumulação de placa bacteriana, e nessa fase a doença é reversível: uma limpeza profissional e uma rotina mais cuidada em casa resolvem-na.
A periodontite é o passo seguinte. É a inflamação grave que destrói o tecido de suporte do dente: a gengiva, o ligamento periodontal e o osso. É a principal causa de perda de dentes em adultos e instala-se sem dor, que é precisamente o que a torna perigosa. Quando o desconforto aparece, a perda óssea já vai adiantada.
O sangramento é o primeiro sinal e o mais fácil de desvalorizar. Uma gengiva saudável não sangra ao escovar nem ao passar o fio dentário.
Da boca para o sangue
O mecanismo, passo a passo.
A boca tem irrigação abundante e é uma porta de entrada permanente. É por aí que uma inflamação local deixa de ser apenas local.
- 01A inflamação instala-se. A placa bacteriana acumula-se no sulco entre a gengiva e o dente e mantém uma inflamação crónica nos tecidos de suporte.
- 02Passa para a corrente sanguínea. As bactérias presentes na gengiva inflamada podem entrar na circulação, e a periodontite liberta mediadores inflamatórios para o sangue.
- 03Chega às artérias. Esses mediadores aceleram a formação de placas de gordura nas artérias e contribuem para o aumento da pressão arterial.
- 04Traduz-se em risco. A falta de cuidado oral está associada a maior probabilidade de enfarte do miocárdio, AVC e endocardite, a infeção do revestimento interno do coração.
Rigor
O que a associação significa
Vale a pena ser exato com as palavras. Associação e causalidade direta são coisas diferentes, e seria desonesto trocá-las. O que a evidência mostra é que quem tem doença periodontal apresenta maior probabilidade de eventos cardiovasculares.
Essa distinção não enfraquece a conclusão prática. Uma inflamação crónica que se consegue tratar, com um tratamento acessível e bem estabelecido, é uma variável que vale a pena retirar da equação, sobretudo em quem já acumula outros fatores de risco.
Há ainda evidência a associar as infeções da cavidade oral ao descontrolo da diabetes e a complicações na gravidez. A saúde oral é um elemento da saúde geral, e é assim que a tratamos.
Sinais de alerta
- Sangramento ao escovar ou ao passar o fio dentário
- Inchaço ou dor persistente na gengiva
- Mau hálito persistente
- Retração gengival, dentes que parecem mais compridos
- Mobilidade dentária e perda de dentes
O que fazer, e é pouco
A parte boa desta história é o tamanho do esforço que ela exige. As recomendações cabem em cinco linhas e nenhuma delas é difícil de cumprir.
A rotina que trava a doença
- Escovar os dentes duas vezes por dia
- Usar fio dentário diariamente
- Trocar de escova no máximo a cada três meses
- Fazer um check-up regular com o médico dentista
- Fazer consulta de higiene oral a cada seis meses
Quando a gengiva já sangra, a rotina em casa deixa de chegar. A placa bacteriana que mineraliza transforma-se em tártaro e, a partir daí, só sai com equipamento específico, manuseado por um higienista oral ou por um médico dentista.
O passo seguinte
Periodontologia na Riarte Clinic
A periodontologia trata das estruturas que não se veem: a gengiva, o ligamento e o osso que suportam cada dente. O objetivo é travar a inflamação, impedir a progressão da perda óssea e recuperar o que for recuperável.
O ponto de partida é uma avaliação do estado das gengivas e dos tecidos de suporte, que determina se o caso se resolve na consulta de higiene oral ou se exige tratamento periodontal.
Antes de decidir
A consulta de avaliação confirma o diagnóstico e esclarece o que é necessário fazer. O plano de tratamento e o respetivo valor são apresentados nessa consulta, depois de avaliarmos o seu caso.
Quem assina
Dr. Francisco Rocha
Cirurgia Oral · Periodontologia · Implantologia · Endodontia
Mestrado Integrado em Medicina Dentária — Universidade Católica Portuguesa · Pós-graduação em Periodontologia com residência clínica — Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz
Esta informação é de carácter geral e não substitui uma consulta médica. Cada caso é avaliado individualmente e os resultados variam de pessoa para pessoa.
Riarte Clinic · Viseu

