Prevenir e manter

A escova de dentes é o gesto mais repetido da higiene oral e, ainda assim, higieniza cerca de 60% da superfície dos dentes. Os restantes 40% correspondem ao espaço entre os dentes, onde a escova não entra e onde se concentram a maioria das cáries e dos problemas gengivais.

Este guia reúne as regras que explicamos na consulta de Higiene Oral, quando ensinamos a rotina que cada pessoa deve manter em casa. São poucas, são simples e nenhuma limpeza profissional as substitui.

Em resumo

  • Escovar no mínimo duas vezes por dia, uma delas obrigatoriamente à noite, durante pelo menos dois minutos.
  • Fio dentário todos os dias, e escovilhão interdentário quando indicado: a escova não chega a 40% da superfície dentária.
  • Consulta de Higiene Oral a cada seis meses, ou a cada três a quatro meses em situações de risco acrescido.

A boca não é um compartimento isolado

A higiene oral costuma ser tratada como uma questão de aparência: dentes brancos, hálito fresco. É uma leitura curta. O depósito de placa bacteriana e de tártaro no sulco entre a gengiva e o dente origina uma inflamação crónica que destrói os tecidos que suportam a dentição — a gengiva, o ligamento periodontal e o osso.

As bactérias presentes na gengiva podem entrar na corrente sanguínea. Há evidência científica a associar as infeções da cavidade oral ao aumento do risco de doenças cardiovasculares, ao descontrolo da diabetes e a complicações na gravidez. A saúde oral é um elemento da saúde geral e da qualidade de vida, e é assim que a tratamos.

Onde está a fronteira

Gengivite e periodontite

A gengivite é a inflamação superficial da gengiva provocada pela acumulação de placa bacteriana. Manifesta-se por gengivas vermelhas, inflamadas e que sangram com facilidade durante a escovagem ou com o uso do fio dentário. Nesta fase, a doença é reversível: uma limpeza profissional e uma rotina domiciliária mais cuidada resolvem-na.

Quando a gengivite não é tratada, a inflamação progride. A periodontite pode manifestar-se por recessão gengival, mobilidade dentária, mau hálito persistente e aparecimento de espaços entre os dentes. Aqui já há perda de estruturas de suporte, e o que se faz é travar a progressão e recuperar o que for recuperável.

O sangramento é o primeiro sinal de alerta na escovagem, e o mais fácil de ignorar.

Marque mais cedo se notar

  • Gengivas que sangram na escovagem ou com o fio dentário
  • Mau hálito persistente
  • Retração gengival ou dentes que parecem mais compridos
  • Mobilidade dentária
  • Espaços novos entre os dentes

Guia clínico domiciliário

As seis regras de ouro.

São as recomendações que os nossos profissionais partilham em consulta. Não substituem a avaliação clínica, mas determinam a maior parte do resultado, porque são o que acontece nos 364 dias em que não está na cadeira.

  1. 01Frequência. Escovar os dentes no mínimo duas vezes por dia. Uma das escovagens deve ser obrigatoriamente à noite e todas devem durar pelo menos dois minutos.
  2. 02Higiene interdentária. A escova não alcança o espaço entre os dentes, que representa 40% da superfície dentária. O fio dentário é essencial pelo menos uma vez por dia, idealmente antes da escovagem da noite. O escovilhão interdentário completa o trabalho onde há espaço para ele.
  3. 03Limpeza da língua. A língua acumula milhares de bactérias, que formam uma camada esbranquiçada. É a principal causa do mau hálito e é a etapa mais esquecida da rotina.
  4. 04Pasta dentífrica. Para adultos, deve conter flúor entre 1450 e 1500 ppm. O valor vem impresso na embalagem, em letra pequena, e vale a pena confirmá-lo antes de comprar.
  5. 05Hábitos alimentares protetores. Reduzir os ácidos e os açúcares e beber 1,5 L de água por dia.
  6. 06A escova, trocada a tempo. No máximo a cada três meses. Cerdas gastas e abertas não removem a placa bacteriana, e cerdas deformadas tornam-se agressivas, provocando sangramento e retração das gengivas. Depois de uma gripe, constipação ou infeção na garganta, mude de escova assim que recuperar, para evitar uma reinfeção.

O que a consulta faz e a escova não faz

A higiene oral diária que faz em casa é essencial e não é suficiente. Quando a placa bacteriana mineraliza, endurece e transforma-se em tártaro. A partir daí, só sai com equipamento específico, manuseado por um higienista oral ou por um médico dentista.

A identificação atempada de uma alteração permite intervir de forma minimamente invasiva e mais eficaz. É a diferença entre corrigir uma lesão pequena e tratar uma consequência.

O que acontece na consulta

  • Avaliação criteriosa do estado dos dentes, das gengivas e dos tecidos de suporte, com deteção precoce de cárie, gengivite e periodontite
  • Destartarização com jato de bicarbonato
  • Polimento dentário em todos os dentes
  • Aplicação tópica de flúor, quando indicado
  • Instrução personalizada: que fio, que escovilhão, que pasta e que colutório fazem sentido para a sua boca

Perguntas frequentes

As três que ouvimos mais.

De quanto em quanto tempo devo fazer uma limpeza profissional?

Para a maioria das pessoas, recomenda-se uma visita a cada seis meses. Quem tem histórico de doença periodontal, quem fuma, quem está grávida, quem usa aparelho ortodôntico e as crianças com risco elevado de cárie podem precisar de visitas mais regulares, a cada três ou quatro meses.

A destartarização estraga ou desgasta o esmalte dos dentes?

Não. As pontas utilizadas vibram de forma a fragmentar apenas o tártaro acumulado, sem danificar a estrutura do esmalte dentário. É um procedimento seguro.

Usar fio dentário é mesmo obrigatório?

Sim. A escova de dentes apenas consegue higienizar cerca de 60% da superfície dos dentes. Os restantes 40% correspondem ao espaço entre os dentes, onde a escova não chega e onde se concentram a maioria das cáries e dos problemas gengivais. O fio dentário, o escovilhão interdentário, ou ambos, são indispensáveis todos os dias.

O passo seguinte

Higiene Oral na Riarte Clinic

A nossa área de Higiene Oral assenta numa abordagem preventiva e personalizada, focada na prevenção, no diagnóstico precoce e no controlo das patologias orais. Na consulta avaliamos o estado dos dentes, das gengivas e dos tecidos de suporte, removemos o tártaro e definimos consigo a rotina que faz sentido para o seu caso.

Saber mais sobre a consulta de Higiene Oral

Antes de decidir

A consulta de avaliação confirma a indicação e esclarece o que é necessário fazer. O plano de tratamento e o respetivo valor são apresentados nessa consulta, depois de avaliarmos o seu caso.

Quem assina

Dr. Francisco Rocha

Cirurgia Oral · Periodontologia · Implantologia · Endodontia

Mestrado Integrado em Medicina Dentária — Universidade Católica Portuguesa · Pós-graduação em Periodontologia com residência clínica — Instituto Superior de Ciências da Saúde Egas Moniz

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Esta informação é de carácter geral e não substitui uma consulta médica. Cada caso é avaliado individualmente e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Riarte Clinic · Viseu

Uma rotina bem feita em casa merece uma avaliação feita na clínica.

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