A ciência por trás

O PRP entrou no vocabulário comum pela porta do desporto de alta competição e ficou associado a uma promessa vaga de regeneração. A realidade é mais concreta, e mais interessante: trata-se de concentrar aquilo que o seu próprio sangue já transporta e colocá-lo exatamente onde o tecido está lesado.

Este artigo explica o mecanismo, o percurso da colheita à aplicação, e delimita o que o PRP não faz.

Em resumo

  • PRP significa Plasma Rico em Plaquetas e é preparado a partir de uma amostra do seu próprio sangue.
  • A centrifugação protocolada isola fatores de crescimento autólogos, que servem de substrato à terapêutica infiltrativa.
  • A aplicação sob controlo ecográfico é o elemento crítico: garante que o concentrado chega ao foco da lesão.

De onde vem o PRP

O plasma rico em plaquetas obtém-se a partir de uma amostra de sangue do próprio doente. Essa amostra é processada em sistemas de centrifugação protocolados, que separam os componentes do sangue por densidade e concentram a fração onde estão as plaquetas.

As plaquetas interessam porque transportam fatores de crescimento. Ao concentrá-los, obtém-se um substrato autólogo — vindo do próprio corpo — para a terapêutica infiltrativa, com o objetivo de promover a regeneração tecidular em patologias tendinosas, ligamentares e cartilagíneas.

A palavra que faz o trabalho todo é autólogo. O que entra no seu corpo é uma parte do seu próprio sangue, devolvida, concentrada, ao sítio onde é precisa.

O percurso

Da colheita à agulha.

O procedimento acontece na mesma consulta, sem internamento, e demora cerca de 30 minutos. Cada etapa tem uma razão de ser e a última é a que distingue um bom resultado de um resultado incerto.

  1. 01Colheita. É colhida uma amostra do seu próprio sangue.
  2. 02Centrifugação protocolada. A amostra é processada para separar os componentes e concentrar as plaquetas e os seus fatores de crescimento.
  3. 03Localização ecográfica. Com o ecógrafo, identifica-se a lesão em tempo real: onde está, que extensão tem e que estruturas ficam no trajeto da agulha.
  4. 04Aplicação ecoguiada. O concentrado é injetado exatamente no local lesado, com a agulha acompanhada no ecrã do princípio ao fim.

O que o PRP não é

Vale a pena arrumar quatro ideias que circulam mais do que deviam.

  • Não é uma substância externa. É preparado a partir do seu sangue, e os fatores de crescimento que concentra são os seus.
  • Não é um procedimento às cegas. O suporte ecográfico em tempo real é o elemento crítico do método: garante que o concentrado chega ao foco da lesão e não ao tecido ao lado.
  • Não é indicado para qualquer dor. As indicações são específicas e a avaliação existe precisamente para as confirmar.
  • Não é uma promessa de resultado. O que se espera depende da lesão, do tecido envolvido e do plano definido em consulta. Quem lhe garantir um resultado está a vender-lhe outra coisa.

O método

O que a ecografia acrescenta

Vale a pena separar duas coisas que costumam andar juntas na conversa: o concentrado biológico e o método de o colocar. A primeira determina o que se aplica; a segunda determina se chega ao sítio certo.

A utilização de um ecógrafo de alta resolução em ambiente de consulta permite realizar exames imagiológicos dinâmicos do sistema musculoesquelético: ver a estrutura em movimento, e não apenas uma imagem parada. Essa mesma tecnologia serve de apoio à execução dos procedimentos ecoguiados — infiltrações e bloqueios perineurais incluídos — assegurando precisão anatómica, resultados previsíveis e maior segurança.

Num tendão com poucos milímetros de espessura, rodeado de estruturas que não devem ser tocadas, a margem de erro de uma aplicação sem imagem é grande demais para ser aceitável. É por isso que a ecografia faz parte do procedimento.

Onde faz sentido

Indicações e vantagens

A aplicação de PRP sob controlo ecoguiado representa o padrão de excelência na medicina regenerativa musculoesquelética. A vantagem não está apenas no que se injeta, está também em como se injeta.

A visualização em tempo real aumenta a precisão da aplicação, permite evitar estruturas importantes e minimiza o risco de lesões ou complicações durante a injeção. Ao estimular o processo de cicatrização natural, o PRP pode contribuir para uma recuperação mais rápida e para um regresso mais célere às atividades habituais.

As indicações também não se esgotam no aparelho locomotor. O mesmo concentrado autólogo é utilizado no rejuvenescimento facial, na região dos olhos e olheiras, no pescoço e nas mãos, em estrias, cicatrizes e marcas de acne, e ainda no couro cabeludo, no tratamento da queda de cabelo. O princípio biológico é o mesmo, muda o tecido a tratar.

Indicações

  • Tendinopatias crónicas
  • Lesões musculares — ruturas ou estiramentos
  • Osteoartrose do joelho e da anca
  • Lesões ligamentares

Quando se combina

Microtenotomia e PRP no mesmo ato

Há tendinopatias crónicas graves que não respondem à reabilitação nem à medicação. Nesses casos, existe um procedimento que junta duas frentes no mesmo ato médico: a microtenotomia percutânea ecoguiada e a injeção de PRP.

A fase mecânica vem primeiro. Uma agulha especial, seguida em tempo real no ecógrafo, realiza microperfurações no tendão degenerado: destrói fibroses, reduz a pressão interna do tendão e cria canais de sangramento. A fase biológica vem a seguir. O PRP infiltra-se nesses canais recém-criados, onde os fatores de crescimento encontram o ambiente para acelerar a regeneração celular e a síntese de colagénio saudável.

Saber mais sobre o PRP sob controlo ecoguiado

Antes de decidir

A consulta de avaliação confirma a indicação, enquadra expectativas e esclarece riscos, alternativas e cuidados. O plano de tratamento e o respetivo valor são apresentados nessa consulta.

Quem assina

Dr. Nuno Matias Pereira

Medicina Estética · Medicina Desportiva · Especialista em Medicina Física e de Reabilitação

OM 69098 · Especialização em Medicina Estética — Universidad de Alcalá · Master em Ecografia Musculoesquelética e Intervencionismo Ecoguiado — Universidad CEU San Pablo, Sevilha

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Esta informação é de carácter geral e não substitui uma consulta médica. Cada caso é avaliado individualmente e os resultados variam de pessoa para pessoa.

Riarte Clinic · Viseu

O primeiro passo é perceber o que está lesado, e onde.

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